quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Não deixe o orgulho atrapalhar você...

Ser tachado de orgulhoso é quase um chingamento. Ninguém gosta. Principalmente quem realmente o é, pelo menos um pouco, o que é quase todo mundo...
O orgulho, em, nós, nasce praticamente junto com nossa auto-imagem:
Quando nascemos, nos tornamos o que há de mais importante na nossa casa e somos o centro de todas as atenções. Por um tempo, somos principezinhos ou princezinhas e as pessoas (principalmente a mamãe) nos olham como as coisinhas mais lindas do mundo.

Aí, vamos crescendo e começamos a dar trabalho (não é fácil cuidar de um príncipe em crescimento!) Em algum momento, teremos que receber limites e entrar no mundo dos simples mortais: vamos, necessariamente, "perder nosso trono" (alguns não perdem, a as consequencias são bem ruins). Nós, que nos achavamos o máximo, vamos, necessariamente, passar por uma decepção: "eu não sou tudo aquilo!"

Dependendo de como isto acontecer, podemos criar um sentimento de não aceitação por nós mesmos: "eu não quero ser só isto!", o que gera falta de auto-estima e o desejo de voltar a ser o máximo que se manifesta como... ORGULHO, a necessidade de compensar esta decepção mostrando-nos melhor do que somos (ou pensamos ser), criando uma imagem melhor de nós para nós mesmos e para os outros (porque pensamos que as pessoas nos vêem com nossos olhos).
Isto nos coloca em uma posição permanente de defesa, pois achamos que estamos sendo criticados a todo momento, por todo mundo, o que gera relacionamentos complicados e deixa a vida muito mais difícil.

A vergonha é a emoção diretamente relacionada ao orgulho. Quem sente vergonha está sentindo sua auto-imagem diminuída e suas reações a ela são sempre dramáticas porque é justamente disso que sofre: de uma auto-imagem ruim. Sentimos vergonha justamente quando algo acontece para piorar ainda mais esta situação. É comum, junto com a vergonha, nos sentirmos “humilhados”, como se nossa auto-imagem tivesse sido jogada na sarjeta...

É muito difícil ter qualidade de vida quando temos auto-estima baixa e o orgulho como companheiro inseparável.
Se você está nesta situação (muito comum) desenvolva a capacidade de auto-observação e fique atento a si mesmo e a suas reações. Tente ficar "esperto" e pegar-se na emoção, ANTES de reagir. Enquanto isso, cuide da sua auto-estima: vá fazer uma análise para melhora-la. O custo de viver assim é, sempre, muito alto!

domingo, 1 de novembro de 2009

Parece mais fácil do que é?

Depois que postei os textos anteriores, principalmente aquele sobre os medos, muitas pessoas me mandaram mensagens dizendo que "gerenciar medos" é muito mais difícil do que parece. Falar é fácil, mas por em prática nem tanto?...

O que acontece é que a maior parte das pessoas quer ficar livre de seus medos mas não está nem um pouco a fim de encará-los de frente. Admití-los (reconhecê-los e olhar de frente para eles: "estou com medo disto") demanda analisá-los à exaustão e quando são coisas mesmo difíceis esta análise requer determinação!

Se alguém que tem medo de assombração assiste um filme de terror, ao passar uma cena tétrica tende a virar o rosto para não ver... Acontece a mesma coisa na vida! Para ver os reais medos é preciso CORAGEM. Mas, no fim, vale muito a pena porque ao perceber (cair a ficha) que não há assombração nenhuma ali, o medo vai embora e, com ele, o que estava complicado (no caso, continuar assistindo o filme).

domingo, 11 de outubro de 2009

Criar um estilo de vida: pense nisto com carinho!

Já abordei, aqui, as conseqüências dos medos, do estresse, da insatisfação que nos persegue sempre... Sugeri que cada um crie um estilo de vida adequado para lidar com estas coisas. Mas... estilo de vida se cria? Não é a conseqüência de nossa "história de vida"?

Bom, vai ser consequencia de sua história de vida se você se deixar ser VITIMA da vida ao invés de ser AUTOR dela! E isto não é dificil. Basta ir levando a vida ("Deixa a vida me levar, vida leva eu...") e a vida leva você, mesmo, só que para onde ELA determinar!

Fala-se muito em auto-conhecimento por aí. Descobriram este "conceito"e o estão usando fartamente. Não sei se todos sabem, realmente, para que serve auto-conhecimento. Certamente não serve para você transformar seu jeito de ser ("agora que sei que lido mal com pessoas violentas, vou me policiar a começar a reagir diferente.") Boa sorte! Será uma vigilância constante e, no mais das vezes, quando você perceber já era...
Auto-conhecimento é realmente útil para você detectar seu estado (está bem, está mal, está tenso, está ansioso...) para poder tomar providências a respeito. Se, por exemplo, reagiu mal a alguém, ao perceber ("estou descontrolado") pode respirar fundo e dar um jeito na situação.

O auto-conhecimento é fundamental na criação de um estilo de vida em que o bem-estar predomine. Por razões evidentes: se você se percebe bem, sabe se está no caminho certo do bem-estar ou não. Saberá, também, o que foi que causou o bem ou mal-estar.

Cultive o auto-conhecimento e passe a usa-lo para construir um estilo de viver bem e você verá sua vida mudar para melhor!

E se eu quiser, mesmo, mudar meu jeito de ser? Se quiser reagir diferente às coisas? Aí, você precisa é mudar a CAUSA das suas reações: se reajo mal a pessoas violentas porque meu pai era violento comigo, preciso dar um jeito de PERDOAR meu pai por ter sido violento comigo ao invés de me amar e preciso ME perdoar se me submeti à violência dele (porque provavelmente sinto raiva de mim mesmo por isso)...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nossa eterna insatisfação

Quando uma criança nasce, normalmente foi esperada com ansiedade e expectativa crescentes por parte dos pais e seu nascimento representa um momento muito especial para os dois. Por isso, ao cuidar de seu bebê, a mãe o faz com muito amor, satisfazendo todas as suas necessidades com carinho e atenção especiais. Estas vivências o levam, muito rapidamente, a ligar a satisfação de suas necessidades com amor e suas necessidades acabam se transformando em demandas de amor: a fome é mais fome de amor, a sede é, também, mais uma sede de amor... Quando temos fome, queremos algo que traga caricias à nossa boca, quando temos sede, queremos saciá-la com algo que nos dê prazer beber... Depois que crescemos e a mamãe já não está mais lá, ficamos procurando “carinhos” e “caricias” o tempo todo! E nossas necessidades, nossas dificuldades, as coisas difíceis da nossa vida transformam-se sempre, de alguma forma, em FALTAS DE AMOR (carinho, carícias...).

Estamos, assim, sempre atrás de experiências de satisfação (carícias), e somos ETERNOS INSATISFEITOS, porque a vida, é claro, não nos provê caricias o tempo todo! Todos temos esta marca indelével da insatisfação e estamos todos procurando “carícias” da vida na eterna esperança de encontrar a “satisfação plena” que um dia tivemos.

Se estamos sempre insatisfeitos e sempre atrás de satisfação, estamos, também, sempre, com EXPECTATIVAS: “o quê vai me satisfazer agora?” Basta que tenhamos um pouco de fome para aparecer, em nós, a expectativa: “como vou ‘satisfazer’ minha fome?”. Talvez uma pizza, um churrasco, uma torta de maçã? Muitas vezes nossa geladeira está cheia de coisas, mas pensamos:
“Não estou com vontade de nada disso! Vou sair e comer um hamburger na padaria...”
Um leão faminto não tem estas dúvidas: ataca a primeira coisa comestível que aparece, mas nós precisamos de algo que “acaricie” (que seja gostoso).

A esta expectativa de satisfação podemos chamar DESEJO: o lançamento de uma expectativa de satisfação em cima de algum objeto específico.

Se observarmos bem, uma expectativa é apenas um pensamento: eu acho que aquilo vai me satisfazer... Uma torta de padaria, sempre tão vistosa, tão apetitosa, é freqüentemente uma decepção. Sabemos disso, mas saber não impede que tenhamos esta expectativa renovada cada vez que olhamos para uma.
E mesmo quando encontramos satisfação, ela dura pouco: não demora para eu estar insatisfeito novamente e, novamente, voltar a expectativa... Mas ter expectativas, desejos, é importante porque nos dá um sentido para viver. Uma direção. Uma motivação. Sem motivos para viver a vida perde a graça e, aí, é a depressão.

Estamos, assim, nas mãos de nossas expectativas de satisfação, agora, é fundamental saber o quê cada um de nós faz com isso: como lidamos com nossas expectativas e desejos!
É muito importante respondermos às perguntas:
• “que insatisfação é essa? insatisfação de quê?”
• “será que eu sei pelo quê eu sofro?”
• “será que eu sei do quê eu sinto falta na minha vida?”,
• “será que eu sei pelo quê eu estou lutando?
• Afinal, eu estou atrás do quê?”

Se sairmos atrás de acabar com uma insatisfação desconhecida, inconsciente, o mais provável é que acabemos por permanecer insatisfeitos e, em algum momento, nos “desesperando”, às vezes apelando para qualquer coisa... Bebida não dá jeito nisso, comida também não, nem compras e nem jogo. O que pode resolver é criar um estilo de vida em que o BEM-ESTAR predomine! Como? Isto é com você: CRIE UM ESTILO DE VIDA EM QUE O BEM-ESTAR PREDOMINE!

sábado, 1 de agosto de 2009

A arte de não adoecer é a arte de perder os medos!

As doenças são reações do nosso organismo a “ataques”, mesmo que não“reais”, mas interpretados como tal. Um dos maiores geradores destes males é o medo (percepção psíquica de ameaças). Vários tipos de medo geram reações em nosso corpo e vários tipos de doenças...Então, ser saudável é não ter medo de nada? Não exatamente. Não ter medo de nada, além de extremamente perigoso, é virtualmente impossível: a maior parte das coisas das quais temos medo são inconscientes! O medo, você sempre sente, mas não sabe do quê... Você pode impedir-se de reagir com medo, fingindo ser “inexpugnável”, ou “inatingível”, mas o medo estará lá (e os efeitos dele também). Melhor é conhecer-se muito bem, a ponto de saber onde estão seus medos, e lidar objetivamente com eles (não super-estimar os riscos).

Alguns medos são tão comuns que são confundidos com um “jeito de ser”:

O medo de falar de sentimentos (principalmente entre os homens). Confunde-se a abertura aos sentimentos com “fragilidade” e “feminilidade”. Acontece que as emoções são, no aparelho psíquico, o que as dores são no aparelho físico: uma fonte importantíssima de informações. As dores nos dizem que há algo acontecendo com nosso corpo que requer atenção: um ferimento que requer cuidado, por exemplo. É o mesmo com as emoções: elas nos dizem o que nos afeta e como, de forma que possamos tomar uma providência a respeito! Ignorar nossas emoções é ignorar o que pode estar no fazendo mal e deixar a coisa piorar indefinidamente, até transformar-se em algo sério!

Emoções e sentimentos escondidos, reprimidos, podem acabar gerando doenças como: gastrite, úlcera, dores musculares, na coluna e, até, em coisas graves como um câncer. Desabafar, partilhar o que nos aflige é um poderoso remédio, uma excelente terapia, uma ótima maneira de não adoecer!

O medo de fazer escolhas e tomar decisões é outro. Tem-se, freqüentemente, medo de errar ou medo de perder o que “ganharia” se a escolha fosse outra. Acontece que a única maneira de adquirir experiência, sabedoria de vida, é errando. Quem não erra não aprende.Gostamos mais de acertar porque nos admiramos e os outros nos admiram, mas o acerto não nos ensina nada! Se estamos na dúvida é porque nosso conhecimento naquele aspecto está insuficiente. Se acertarmos, será mera sorte e o conhecimento não virá (o “porquê” de ser daquele jeito e não de outro). Vamos permanecer na dúvida e, provavelmente, teremos a mesma dificuldade no futuro!

Não gostamos de errar porque temos medo da avaliação negativa dos outros e da nossa própria, mas errar só será, mesmo, ruim se a conseqüência do erro for, mesmo, grave (será que estamos sendo irresponsáveis por nos lançarmos em uma escolha sem estarmos preparados para ela? Será que não estamos conseguindo ser humildes para aceitar o nosso melhor possível.

Uma coisa é certa: não há garantia de acerto nunca. Craques do futebol eventualmente erram pênaltis, grandes médicos eventualmente cometem erros simples, grandes analistas financeiros eventualmente fazem análises grotescas... A história da humanidade é feita de decisões, de acertos e de muitos, muitos erros. Se você não se decide, deve estar esperando que a vida tome a decisão por você e, aí, é “agüentar” as conseqüências!

Além de enfrentar o medo de errar, para fazer escolhas, para tomar decisões é preciso saber renunciar, renunciar ao que se vai perder com a escolha feita. É preciso saber perder algumas vantagens e valores para ganhar outros e isto exige desprendimento e humildade... Quem não quer perder nunca, está se iludindo com a “pré-potência”: a perda faz parte da vida. Para começar, a cada dia perdemos um dia de nossas vidas, bem ou mal vivido! Toda escolha que fazemos ou fazem por nós envolve perdas. A perda é, na verdade, apenas uma maneira de ver, uma maneira de interpretar a situação: quando você escolhe uma escola para estudar, “perde” tudo de bom que a outra poderia lhe dar; quando você escolhe alguém para se casar, “perde” tudo de bom que uma outra pessoa poderia lhe trazer; quando você escolhe tomar uma cerveja, “perde” todas as boas sensações que um bom vinho lhe traria... a vida funciona assim!

Deixar-se bloquear pela indecisão acumula problemas, preocupações e agressões contra nós mesmos e contra os outros. O estresse gerado pela indecisão pode gerar doenças nervosas, gástricas e problemas de pele! Se você é um indeciso, comece por desvendar, analisando-se, por que motivos você não consegue fazer suas escolhas, decidir-se... A decisão alivia o coração e nos preserva a saúde!

O pessimismo costuma ser um belo disfarce para o medo de viver. As pessoas pessimistas, muitas vezes, não têm auto-confiança suficiente para acreditar que podem encontrar saídas para as situações da vida e escondem-se atrás da crença de que tudo vai dar errado. Assim, não terão que tomar atitudes que sentem não ser capazes de tomar! Com isto, muitas vezes os seus problemas parecem cada vez maiores, bloqueando sua ação e gerando para si e para os próximos um ambiente cada vez pior que acaba por trazer mal-estar e doenças, entre as quais a depressão.

Como se sai do pessimismo? Mudando sua atitude diante da vida, assumindo a responsabilidade pela própria vida e indo atrás da auto-confiança necessária para ser o autor dela. A auto-confiança é resultado de um aprendizado: é o aprender a viver, vivendo; é o aprender a fazer, fazendo: comece a fazer, a realizar as coisas de que tem medo. Para isto é preciso arriscar-se a errar no início, mas a experiência trará a competência!

O bom humor recupera a saúde e a capacidade de criar um ambiente rico e feliz à sua volta. Se você for capaz de manter o bom humor e alegrar o ambiente em que vive terá, além de saúde, felicidade!

Todos nós temos uma origem comum: a infância. Todos fomos um principezinho ou princesinha no início das nossas vidas e todos, em algum momento, perdemos este lugar especial para “cair na real”. Como, certamente, nenhum de nós gostou de “perder a majestade”, de ser destronado, quase todos queremos fazer coisas para sermos, novamente, admirados, elogiados, nos sentindo especiais. Alguns mais do que outros... Muitas pessoas, para se sentirem especiais, criam para si um mundo de aparências: passam o tempo todo tentando mostrar para si mesmas e para o mundo que são o que querem parecer ser e esta é uma vida muito pesada que gera muitas angústias e muito estresse. Tudo por medo de não serem tão especiais quanto gostariam...

O caminho da saúde está em nos aceitarmos como somos e, para isto, é fundamental que nos conheçamos: que saibamos como realmente somos! Certamente não somos mais um príncipe ou princesa, mas aquilo em que nos tornamos é, quase sempre, melhor do que o que jamais fomos, pois a vida, provavelmente, só nos fez cada vez melhores!
Se eu me rejeito (tenho medo de assumir o que sou), a falta de auto-estima faz com que eu me torne um algoz de mim mesmo, sabotando a minha vida e as minhas possibilidades de sucesso e felicidade. Se me aceito como sou, posso aproveitar minhas qualidades e, a partir delas, eliminando ou compensando meus pontos fracos, construir-me uma pessoa cada vez melhor e mais realizada...

Se o medo é um grande gerador de mal-estar e doenças, para lidar com ele o melhor caminho é a fé. Nada que tenha a ver, diretamente, com religião, mas a fé embasada na confiança. Confiança em si, confiança em que algo superior mantém os acontecimentos em seu melhor caminho, confiança de que, seja lá o que aconteça, disto sairá algo na direção do melhor: trará, no mínimo, sabedoria de vida. Se não quiser adoecer, confie.

Por último, a saúde estará onde estiverem relacionamentos saudáveis. Manter o canal aberto para comunicar-se com as pessoas, o coração aberto para ouvi-las e compreende-las e tolerância para aceitar as diferenças são atitudes que constroem amizades verdadeiras e vínculos afetivos recompensadores e trazem, para você, estabilidade, segurança e paz interior, levando a saúde física e psíquica e à criação de um ambiente propício a bem-estar e felicidade.

Em suma, a arte de não adoecer é também a arte de construir uma vida feliz!...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Faz bem refletir

Nosso organismo tende a apresentar respostas, anatômicas e fisiológicas, no sentido de absorver e adaptar-se a cada estímulo que perturba seu equilíbrio. As doenças são uma reação ativa dele a estas perturbações, num esforço constante para adaptar-se às condições a que é exposto, com o objetivo de restabelecer sua homeostase (equilíbrio bioquímico geral).

Entre as fontes de perturbações e desequilíbrio estão os conflitos emocionais: raiva, medo, angústia expressam-se em nosso corpo provocando reflexos em suas diversas funções. A todo instante estamos fazendo movimentos de adaptação para nos ajustarmos às mais diferentes exigências: do ambiente, de nossas concepções de vida, de nossos sentimentos, expectativas, angústias e frustrações, gerando estímulos que podem levar a inúmeros transtornos funcionais.

Ao conjunto de reações de nosso corpo ao desequilíbrio chamamos síndrome geral da adaptação, e o hipotálamo (estrutura cerebral sede das emoções e responsável pelo sistema imunológico) é o seu disparador. Esta síndrome acontece em três fases:

I - Reação de alarme:
A primeira reação do organismo é o alarme. O hipotálamo comanda a produção de hormônios como a adrenalina e a noradrenalina provocando reações imediatas: o baço se contrai liberando mais glóbulos vermelhos e a freqüência cardíaca e a pressão arterial aumentam, o fígado libera mais açúcar, aumenta a irrigação sangüínea nos músculos e cérebro enquanto diminui na pele e nas vísceras, a freqüência respiratória aumenta, as pupilas se dilatam, há aumento dos linfócitos no sangue e da taxa de colesterol. Tudo isto para preparar o corpo para "reagir à ameaça".

Caso o estímulo ameaçador (perturbação) cesse, um sistema de realimentação negativa interrompe o processo, levando o corpo de volta ao equilíbrio. Se a ameaça não cessa, o organismo entra em um esforço de adaptação a ela: a fase de resistência...


II - Fase de resistência:
Esta fase é caracterizada por hiperatividade córtico-supra-renal, com aumento do córtex da supra-renal, atrofia do baço e das estruturas linfáticas e diminuição da endorfina e da serotonina causando mal-estar, dores que podem se tornar crônicas, problemas de pele, etc.

Se o estímulo se mantém, tornando-se crônico, estas alterações também se mantém, mas diminuindo de amplitude e com antecipação das respostas (hiper-reatividade). Com o tempo, aumenta a possibilidade de acontecerem falhas nos mecanismos de defesa, desencadeando a exaustão...

III - Fase de exaustão:
Nesta fase, uma dificuldade cada vez maior de manutenção dos mecanismos de adaptação leva à perda de reservas, retorno à fase de alarme, disfunções crescentes nos sistemas corporais, desorganização celular e, eventualmente, à morte.

Se nós estamos bem estruturados psiquicamente, as dificuldades normais da vida nos afetam pouco, não produzindo desequilíbrios, mas apenas flutuações nos sistemas de defesa e manutenção da homeostase.

Se, ao contrário, nossa estrutura psíquica é frágil, cada reação emocional mais forte causa a entrada na síndrome de adaptação com o aparecimento do chamado "stress": conceito criado na física e usado em biologia para referir-se ao estado de um organismo submetido a uma situação adversa mais ou menos crônica, mobilizando seus recursos de emergência por tempo prolongado e provocando alterações e distúrbios.

A repetição freqüente dos desequilíbrios emocionais acaba por alterar a vida celular, provocando lesões, disfunções imunológicas e doenças: as somatizações.

Nas quantidades certas, os hormônios são essenciais para o nosso corpo, mas sua presença em excesso pode ser danosa. O cortisol, hormônio diretamente envolvido na síndrome de adaptação (e no estresse) é um exemplo disso: nas quantidades certas, ele é fundamental para:

  • A regulação do metabolismo da glicose,
  • A liberação de insulina para regular o nível de glicose no sangue,
  • A regulação da pressão sanguínea,
  • A resposta do organismo a inflamações,
  • O funcionamento do sistema imunológico,

mas sua liberação freqüente provoca alterações que, dependendo da dinâmica dos processos envolvidos, têm conseqüências muitas vezes graves para nossa saúde. Se, normalmente, ele é importante, ajudando na manutenção da homeostase, no aumento dos níveis de energia disponíveis, na melhora da memória, no aumento da resistência imunológica e na diminuição da sensibilidade à dor, sua presença excessiva e constante (como nos casos de stress) pode provocar:

  • A desregulação da pressão e da freqüência cardíacas,
  • Desbalanceamento dos níveis de açúcar no sangue,
  • Mal funcionamento da tireóide,
  • Diminuição das funções cognitivas,
  • Diminuição da densidade dos ossos,
  • Fragilidade das fibras musculares,
  • Diminuição da eficiência do sistema imunológico,
  • Diminuição das respostas a inflamações,
  • Aumento da gordura abdominal associada a aumento do colesterol ruim,
  • Diminuição crônica dos níveis de endorfina e serotonina,

com o aparecimento de disfunções e doenças:

A fragilidade das fibras musculares afeta, nos intestinos, os movimentos peristálticos, produzindo prisão de ventre e agravando doenças como a diverticulite e, no sistema respiratório, prejudica a dilatação dos brônquios levando a asma e bronquite,

A resposta exagerada do sistema imunológico agrava sintomas da asma e outras alergias...

A falta de sintonia entre hipotálamo, hipófise e supra-renal produz desregulação do sistema imunológico que pode atacar a tireóide, o pâncreas e outros órgãos, provocando diabetes tipo I, distúrbios da tireóide, Lupus Eritomatoso, e outras doenças auto-imunes,

A desregulação do funcionamento cardíaco e dos níveis de colesterol ruim podem levar a infarto e outros males do coração,

A mucosa torna-se frágil a ataque de ácidos e enzimas por deficiência na circulação sanguínea e desbalanceamento na demanda e suprimento de oxigênio (causando a redução na produção de seus protetores celulares, como a prostaglandina, p.e.) tornando estômago e intestinos propensos a ulcerações

Estudos mostram que as pessoas que tendem a somatizar (adoecer quando submetidas a estresse), além de liberarem mais cortisol sob estresse, apresentam um perfil comum:

  • Dificilmente sonham durante o sono e dificilmente têm sonhos na vida (são pessoas absolutamente práticas e pragmáticas),
  • Fazem questão de conversas diretas e objetivas,
  • Normalmente disfarçam suas emoções de si mesmos e dos outros, o que as leva, e as pessoas próximas, a ter dificuldade para saber o que sentem e porque,
  • A raiva é praticamente a única emoção que percebem e se permitem vivenciar

traços que estão, todos, relacionados com uma causa comum: a fragilidade psíquica que as torna defendidas e fechadas a si mesmas, ao mundo e à vida.

Evidenciou-se, também, que as pessoas "mais sensíveis" ao estresse tendem a comer em maior quantidade (e a beber mais): estas são "válvulas de escape" que as ajudem a lidar com a pressão.

Aqueles que se sentem mais propensos a se estressar devem tomar cuidado com suas estratégias de alívio, pois correm o risco de piorar ainda mais sua situação... O melhor, mesmo, é fazer alguma coisa para não se estressar: fortalecer-se psiquicamente. Como? Deêm uma olhada nos programas da Lotuslife (www.lotuslife.com.br).


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