Entre as fontes de perturbações e desequilíbrio estão os conflitos emocionais: raiva, medo, angústia expressam-se em nosso corpo provocando reflexos em suas diversas funções. A todo instante estamos fazendo movimentos de adaptação para nos ajustarmos às mais diferentes exigências: do ambiente, de nossas concepções de vida, de nossos sentimentos, expectativas, angústias e frustrações, gerando estímulos que podem levar a inúmeros transtornos funcionais.
Ao conjunto de reações de nosso corpo ao desequilíbrio chamamos síndrome geral da adaptação, e o hipotálamo (estrutura cerebral sede das emoções e responsável pelo sistema imunológico) é o seu disparador. Esta síndrome acontece em três fases:
I - Reação de alarme:
A primeira reação do organismo é o alarme. O hipotálamo comanda a produção de hormônios como a adrenalina e a noradrenalina provocando reações imediatas: o baço se contrai liberando mais glóbulos vermelhos e a freqüência cardíaca e a pressão arterial aumentam, o fígado libera mais açúcar, aumenta a irrigação sangüínea nos músculos e cérebro enquanto diminui na pele e nas vísceras, a freqüência respiratória aumenta, as pupilas se dilatam, há aumento dos linfócitos no sangue e da taxa de colesterol. Tudo isto para preparar o corpo para "reagir à ameaça".
Caso o estímulo ameaçador (perturbação) cesse, um sistema de realimentação negativa interrompe o processo, levando o corpo de volta ao equilíbrio. Se a ameaça não cessa, o organismo entra em um esforço de adaptação a ela: a fase de resistência...
II - Fase de resistência:
Esta fase é caracterizada por hiperatividade córtico-supra-renal, com aumento do córtex da supra-renal, atrofia do baço e das estruturas linfáticas e diminuição da endorfina e da serotonina causando mal-estar, dores que podem se tornar crônicas, problemas de pele, etc.
Se o estímulo se mantém, tornando-se crônico, estas alterações também se mantém, mas diminuindo de amplitude e com antecipação das respostas (hiper-reatividade). Com o tempo, aumenta a possibilidade de acontecerem falhas nos mecanismos de defesa, desencadeando a exaustão...
III - Fase de exaustão:
Nesta fase, uma dificuldade cada vez maior de manutenção dos mecanismos de adaptação leva à perda de reservas, retorno à fase de alarme, disfunções crescentes nos sistemas corporais, desorganização celular e, eventualmente, à morte.
Se nós estamos bem estruturados psiquicamente, as dificuldades normais da vida nos afetam pouco, não produzindo desequilíbrios, mas apenas flutuações nos sistemas de defesa e manutenção da homeostase.
Se, ao contrário, nossa estrutura psíquica é frágil, cada reação emocional mais forte causa a entrada na síndrome de adaptação com o aparecimento do chamado "stress": conceito criado na física e usado em biologia para referir-se ao estado de um organismo submetido a uma situação adversa mais ou menos crônica, mobilizando seus recursos de emergência por tempo prolongado e provocando alterações e distúrbios.
A repetição freqüente dos desequilíbrios emocionais acaba por alterar a vida celular, provocando lesões, disfunções imunológicas e doenças: as somatizações.
Nas quantidades certas, os hormônios são essenciais para o nosso corpo, mas sua presença em excesso pode ser danosa. O cortisol, hormônio diretamente envolvido na síndrome de adaptação (e no estresse) é um exemplo disso: nas quantidades certas, ele é fundamental para:
- A regulação do metabolismo da glicose,
- A liberação de insulina para regular o nível de glicose no sangue,
- A regulação da pressão sanguínea,
- A resposta do organismo a inflamações,
- O funcionamento do sistema imunológico,
mas sua liberação freqüente provoca alterações que, dependendo da dinâmica dos processos envolvidos, têm conseqüências muitas vezes graves para nossa saúde. Se, normalmente, ele é importante, ajudando na manutenção da homeostase, no aumento dos níveis de energia disponíveis, na melhora da memória, no aumento da resistência imunológica e na diminuição da sensibilidade à dor, sua presença excessiva e constante (como nos casos de stress) pode provocar:
- A desregulação da pressão e da freqüência cardíacas,
- Desbalanceamento dos níveis de açúcar no sangue,
- Mal funcionamento da tireóide,
- Diminuição das funções cognitivas,
- Diminuição da densidade dos ossos,
- Fragilidade das fibras musculares,
- Diminuição da eficiência do sistema imunológico,
- Diminuição das respostas a inflamações,
- Aumento da gordura abdominal associada a aumento do colesterol ruim,
- Diminuição crônica dos níveis de endorfina e serotonina,
com o aparecimento de disfunções e doenças:
A fragilidade das fibras musculares afeta, nos intestinos, os movimentos peristálticos, produzindo prisão de ventre e agravando doenças como a diverticulite e, no sistema respiratório, prejudica a dilatação dos brônquios levando a asma e bronquite,
A resposta exagerada do sistema imunológico agrava sintomas da asma e outras alergias...
A falta de sintonia entre hipotálamo, hipófise e supra-renal produz desregulação do sistema imunológico que pode atacar a tireóide, o pâncreas e outros órgãos, provocando diabetes tipo I, distúrbios da tireóide, Lupus Eritomatoso, e outras doenças auto-imunes,
A desregulação do funcionamento cardíaco e dos níveis de colesterol ruim podem levar a infarto e outros males do coração,
A mucosa torna-se frágil a ataque de ácidos e enzimas por deficiência na circulação sanguínea e desbalanceamento na demanda e suprimento de oxigênio (causando a redução na produção de seus protetores celulares, como a prostaglandina, p.e.) tornando estômago e intestinos propensos a ulcerações
Estudos mostram que as pessoas que tendem a somatizar (adoecer quando submetidas a estresse), além de liberarem mais cortisol sob estresse, apresentam um perfil comum:
- Dificilmente sonham durante o sono e dificilmente têm sonhos na vida (são pessoas absolutamente práticas e pragmáticas),
- Fazem questão de conversas diretas e objetivas,
- Normalmente disfarçam suas emoções de si mesmos e dos outros, o que as leva, e as pessoas próximas, a ter dificuldade para saber o que sentem e porque,
- A raiva é praticamente a única emoção que percebem e se permitem vivenciar
traços que estão, todos, relacionados com uma causa comum: a fragilidade psíquica que as torna defendidas e fechadas a si mesmas, ao mundo e à vida.
Evidenciou-se, também, que as pessoas "mais sensíveis" ao estresse tendem a comer em maior quantidade (e a beber mais): estas são "válvulas de escape" que as ajudem a lidar com a pressão.
Aqueles que se sentem mais propensos a se estressar devem tomar cuidado com suas estratégias de alívio, pois correm o risco de piorar ainda mais sua situação... O melhor, mesmo, é fazer alguma coisa para não se estressar: fortalecer-se psiquicamente. Como? Deêm uma olhada nos programas da Lotuslife (www.lotuslife.com.br).
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