segunda-feira, 18 de maio de 2009

Faz bem refletir

Nosso organismo tende a apresentar respostas, anatômicas e fisiológicas, no sentido de absorver e adaptar-se a cada estímulo que perturba seu equilíbrio. As doenças são uma reação ativa dele a estas perturbações, num esforço constante para adaptar-se às condições a que é exposto, com o objetivo de restabelecer sua homeostase (equilíbrio bioquímico geral).

Entre as fontes de perturbações e desequilíbrio estão os conflitos emocionais: raiva, medo, angústia expressam-se em nosso corpo provocando reflexos em suas diversas funções. A todo instante estamos fazendo movimentos de adaptação para nos ajustarmos às mais diferentes exigências: do ambiente, de nossas concepções de vida, de nossos sentimentos, expectativas, angústias e frustrações, gerando estímulos que podem levar a inúmeros transtornos funcionais.

Ao conjunto de reações de nosso corpo ao desequilíbrio chamamos síndrome geral da adaptação, e o hipotálamo (estrutura cerebral sede das emoções e responsável pelo sistema imunológico) é o seu disparador. Esta síndrome acontece em três fases:

I - Reação de alarme:
A primeira reação do organismo é o alarme. O hipotálamo comanda a produção de hormônios como a adrenalina e a noradrenalina provocando reações imediatas: o baço se contrai liberando mais glóbulos vermelhos e a freqüência cardíaca e a pressão arterial aumentam, o fígado libera mais açúcar, aumenta a irrigação sangüínea nos músculos e cérebro enquanto diminui na pele e nas vísceras, a freqüência respiratória aumenta, as pupilas se dilatam, há aumento dos linfócitos no sangue e da taxa de colesterol. Tudo isto para preparar o corpo para "reagir à ameaça".

Caso o estímulo ameaçador (perturbação) cesse, um sistema de realimentação negativa interrompe o processo, levando o corpo de volta ao equilíbrio. Se a ameaça não cessa, o organismo entra em um esforço de adaptação a ela: a fase de resistência...


II - Fase de resistência:
Esta fase é caracterizada por hiperatividade córtico-supra-renal, com aumento do córtex da supra-renal, atrofia do baço e das estruturas linfáticas e diminuição da endorfina e da serotonina causando mal-estar, dores que podem se tornar crônicas, problemas de pele, etc.

Se o estímulo se mantém, tornando-se crônico, estas alterações também se mantém, mas diminuindo de amplitude e com antecipação das respostas (hiper-reatividade). Com o tempo, aumenta a possibilidade de acontecerem falhas nos mecanismos de defesa, desencadeando a exaustão...

III - Fase de exaustão:
Nesta fase, uma dificuldade cada vez maior de manutenção dos mecanismos de adaptação leva à perda de reservas, retorno à fase de alarme, disfunções crescentes nos sistemas corporais, desorganização celular e, eventualmente, à morte.

Se nós estamos bem estruturados psiquicamente, as dificuldades normais da vida nos afetam pouco, não produzindo desequilíbrios, mas apenas flutuações nos sistemas de defesa e manutenção da homeostase.

Se, ao contrário, nossa estrutura psíquica é frágil, cada reação emocional mais forte causa a entrada na síndrome de adaptação com o aparecimento do chamado "stress": conceito criado na física e usado em biologia para referir-se ao estado de um organismo submetido a uma situação adversa mais ou menos crônica, mobilizando seus recursos de emergência por tempo prolongado e provocando alterações e distúrbios.

A repetição freqüente dos desequilíbrios emocionais acaba por alterar a vida celular, provocando lesões, disfunções imunológicas e doenças: as somatizações.

Nas quantidades certas, os hormônios são essenciais para o nosso corpo, mas sua presença em excesso pode ser danosa. O cortisol, hormônio diretamente envolvido na síndrome de adaptação (e no estresse) é um exemplo disso: nas quantidades certas, ele é fundamental para:

  • A regulação do metabolismo da glicose,
  • A liberação de insulina para regular o nível de glicose no sangue,
  • A regulação da pressão sanguínea,
  • A resposta do organismo a inflamações,
  • O funcionamento do sistema imunológico,

mas sua liberação freqüente provoca alterações que, dependendo da dinâmica dos processos envolvidos, têm conseqüências muitas vezes graves para nossa saúde. Se, normalmente, ele é importante, ajudando na manutenção da homeostase, no aumento dos níveis de energia disponíveis, na melhora da memória, no aumento da resistência imunológica e na diminuição da sensibilidade à dor, sua presença excessiva e constante (como nos casos de stress) pode provocar:

  • A desregulação da pressão e da freqüência cardíacas,
  • Desbalanceamento dos níveis de açúcar no sangue,
  • Mal funcionamento da tireóide,
  • Diminuição das funções cognitivas,
  • Diminuição da densidade dos ossos,
  • Fragilidade das fibras musculares,
  • Diminuição da eficiência do sistema imunológico,
  • Diminuição das respostas a inflamações,
  • Aumento da gordura abdominal associada a aumento do colesterol ruim,
  • Diminuição crônica dos níveis de endorfina e serotonina,

com o aparecimento de disfunções e doenças:

A fragilidade das fibras musculares afeta, nos intestinos, os movimentos peristálticos, produzindo prisão de ventre e agravando doenças como a diverticulite e, no sistema respiratório, prejudica a dilatação dos brônquios levando a asma e bronquite,

A resposta exagerada do sistema imunológico agrava sintomas da asma e outras alergias...

A falta de sintonia entre hipotálamo, hipófise e supra-renal produz desregulação do sistema imunológico que pode atacar a tireóide, o pâncreas e outros órgãos, provocando diabetes tipo I, distúrbios da tireóide, Lupus Eritomatoso, e outras doenças auto-imunes,

A desregulação do funcionamento cardíaco e dos níveis de colesterol ruim podem levar a infarto e outros males do coração,

A mucosa torna-se frágil a ataque de ácidos e enzimas por deficiência na circulação sanguínea e desbalanceamento na demanda e suprimento de oxigênio (causando a redução na produção de seus protetores celulares, como a prostaglandina, p.e.) tornando estômago e intestinos propensos a ulcerações

Estudos mostram que as pessoas que tendem a somatizar (adoecer quando submetidas a estresse), além de liberarem mais cortisol sob estresse, apresentam um perfil comum:

  • Dificilmente sonham durante o sono e dificilmente têm sonhos na vida (são pessoas absolutamente práticas e pragmáticas),
  • Fazem questão de conversas diretas e objetivas,
  • Normalmente disfarçam suas emoções de si mesmos e dos outros, o que as leva, e as pessoas próximas, a ter dificuldade para saber o que sentem e porque,
  • A raiva é praticamente a única emoção que percebem e se permitem vivenciar

traços que estão, todos, relacionados com uma causa comum: a fragilidade psíquica que as torna defendidas e fechadas a si mesmas, ao mundo e à vida.

Evidenciou-se, também, que as pessoas "mais sensíveis" ao estresse tendem a comer em maior quantidade (e a beber mais): estas são "válvulas de escape" que as ajudem a lidar com a pressão.

Aqueles que se sentem mais propensos a se estressar devem tomar cuidado com suas estratégias de alívio, pois correm o risco de piorar ainda mais sua situação... O melhor, mesmo, é fazer alguma coisa para não se estressar: fortalecer-se psiquicamente. Como? Deêm uma olhada nos programas da Lotuslife (www.lotuslife.com.br).


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3 comentários:

Anônimo disse...

Obrigado pela matéria. Muito interessante!

Ciro

Rubens Villela disse...

Dá para perceber que os conceitos de vida vindos do oriente (India, China, Japão...) tem um bocado de fundamento!...

Anônimo disse...

Isto tudo quer dizer que a arte de não se estressar é a arte de não se deixar "pressionar"(por medo, basicamente)... De novo, o medo é o vilão (ou as nossas inseguranças, que nos levam a ter medo). Isto se liga ao texto sobre o medo. Sempre os medos...

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