quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nossa eterna insatisfação

Quando uma criança nasce, normalmente foi esperada com ansiedade e expectativa crescentes por parte dos pais e seu nascimento representa um momento muito especial para os dois. Por isso, ao cuidar de seu bebê, a mãe o faz com muito amor, satisfazendo todas as suas necessidades com carinho e atenção especiais. Estas vivências o levam, muito rapidamente, a ligar a satisfação de suas necessidades com amor e suas necessidades acabam se transformando em demandas de amor: a fome é mais fome de amor, a sede é, também, mais uma sede de amor... Quando temos fome, queremos algo que traga caricias à nossa boca, quando temos sede, queremos saciá-la com algo que nos dê prazer beber... Depois que crescemos e a mamãe já não está mais lá, ficamos procurando “carinhos” e “caricias” o tempo todo! E nossas necessidades, nossas dificuldades, as coisas difíceis da nossa vida transformam-se sempre, de alguma forma, em FALTAS DE AMOR (carinho, carícias...).

Estamos, assim, sempre atrás de experiências de satisfação (carícias), e somos ETERNOS INSATISFEITOS, porque a vida, é claro, não nos provê caricias o tempo todo! Todos temos esta marca indelével da insatisfação e estamos todos procurando “carícias” da vida na eterna esperança de encontrar a “satisfação plena” que um dia tivemos.

Se estamos sempre insatisfeitos e sempre atrás de satisfação, estamos, também, sempre, com EXPECTATIVAS: “o quê vai me satisfazer agora?” Basta que tenhamos um pouco de fome para aparecer, em nós, a expectativa: “como vou ‘satisfazer’ minha fome?”. Talvez uma pizza, um churrasco, uma torta de maçã? Muitas vezes nossa geladeira está cheia de coisas, mas pensamos:
“Não estou com vontade de nada disso! Vou sair e comer um hamburger na padaria...”
Um leão faminto não tem estas dúvidas: ataca a primeira coisa comestível que aparece, mas nós precisamos de algo que “acaricie” (que seja gostoso).

A esta expectativa de satisfação podemos chamar DESEJO: o lançamento de uma expectativa de satisfação em cima de algum objeto específico.

Se observarmos bem, uma expectativa é apenas um pensamento: eu acho que aquilo vai me satisfazer... Uma torta de padaria, sempre tão vistosa, tão apetitosa, é freqüentemente uma decepção. Sabemos disso, mas saber não impede que tenhamos esta expectativa renovada cada vez que olhamos para uma.
E mesmo quando encontramos satisfação, ela dura pouco: não demora para eu estar insatisfeito novamente e, novamente, voltar a expectativa... Mas ter expectativas, desejos, é importante porque nos dá um sentido para viver. Uma direção. Uma motivação. Sem motivos para viver a vida perde a graça e, aí, é a depressão.

Estamos, assim, nas mãos de nossas expectativas de satisfação, agora, é fundamental saber o quê cada um de nós faz com isso: como lidamos com nossas expectativas e desejos!
É muito importante respondermos às perguntas:
• “que insatisfação é essa? insatisfação de quê?”
• “será que eu sei pelo quê eu sofro?”
• “será que eu sei do quê eu sinto falta na minha vida?”,
• “será que eu sei pelo quê eu estou lutando?
• Afinal, eu estou atrás do quê?”

Se sairmos atrás de acabar com uma insatisfação desconhecida, inconsciente, o mais provável é que acabemos por permanecer insatisfeitos e, em algum momento, nos “desesperando”, às vezes apelando para qualquer coisa... Bebida não dá jeito nisso, comida também não, nem compras e nem jogo. O que pode resolver é criar um estilo de vida em que o BEM-ESTAR predomine! Como? Isto é com você: CRIE UM ESTILO DE VIDA EM QUE O BEM-ESTAR PREDOMINE!