segunda-feira, 8 de março de 2010

Dar e receber

Olhando para o comportamento das pessoas, muitos consideram a generosidade uma "qualidade de caráter" e o egoísmo um "defeito de caráter". Mas estes são, na verdade, reflexos de algumas características da personalidade que aparecem na convivência com os outros e que, se olhadas mais de perto, vão revelar os funcionamentos que estão na sua base:

  • ter ou não a capacidade de ver os outros em suas diferenças e necessidades
  • ter ou não a capacidade de dividir suas coisas com os outros
  • sentir-se ou não à vontade no ato de doar


Se observarmos a Natureza, que sempre achamos tão bela, vamos perceber que o egoísmo é a regra. Com exceção da maioria das mães, o que vale é “cada um para si e Deus para todos”. Isto vale inclusive para o ser humano. Todo pai e toda mãe sabem que ensinar os filhos a considerar os outros e dividir suas coisas com eles é muito difícil e dá muito trabalho! Se, por alguma razão, estes esforços não surtem os resultados “esperados”, estas capacidades estarão prejudicadas e as bases para a generosidade também.


Mas, e sentir-se “esquisito” ao pensar-se dando alguma coisa a alguém sem esperar nada em troca? De onde vem este sentimento? Há pessoas que sentem-se constrangidas, envergonhadas nestas situações.

A vergonha é sinal de que estamos preocupados com nossa imagem (o que vão pensar de mim?) Talvez estas pessoas, inconscientemente, não acreditem em suas boas intenções e, por isso, pensem: “vão achar que eu quero alguma coisa em troca” (talvez “prestígio”ou “vender” a imagem de “bonzinho”)

Isto, só cada um pode responder. Se alguém se sente assim, vale, aí, fazer uma auto-análise...


Se a generosidade é uma “conquista” da nossa educação, da nossa formação, ela é, também, um enorme bem para quem a tem. E não é só porque vão admirar você por isso. É, principalmente, porque ela vai proporcionar a você muito mais do que você proporciona aos outros com ela. Dar é muito melhor do que receber: e isto é muito fácil de perceber.


Em nossa vida profissional, quando recebemos as recompensas por nossa competência e habilidades, nossa alegria e satisfação podem ser muito intensas no momento, mas com o tempo nos acostumamos com elas e sua importância vai diminuindo. Você pode ficar muito feliz por ter sido capaz de comprar um Mercedez, mas não vai demorar para que ele se transforme em apenas um bom carro. Você pode sentir-se orgulhoso e cheio de si por ter conseguido chegar a vice-presidente da empresa, mas com o tempo isto vai representar apenas mais trabalho. As coisas que se recebe perdem logo o valor, por maior que sejam. Você pode receber atenção, afeto, amor intenso de alguém; se não for alguém de quem você goste, não vai significar nada. E, mesmo quando você gosta mesmo deste alguém, com o tempo as demonstrações de afeto que você recebe dele vão ficando “comuns”, perdendo o valor.


Com o dar, acontece o contrário. Quando as pessoas se engajam em serviços voluntários, como passear com idosos ou ajudar crianças num orfanato, geralmente começam meio sem jeito, com algumas ações isoladas, mas sentem-se tão bem em perceber-se fazendo a diferença, percebendo-se capazes de mudar a vida de alguém que o prazer que sentem só aumenta e sua satisfação consigo mesmas também.


Muito embora nossa tendência seja de nos preocuparmos em ganhar, em receber, muito mais prazeroso é dar. Enquanto um milionário que more em Hollywood e tenha uma mansão e vários carros na garagem tem a tendência de ver sua vida com cada vez mais desinteresse e precise de cada vez mais coisas para “torná-la interessante”, Madre Tereza de Calcutá certamente sentia-se cada vez mais feliz a cada novo doente que conseguia tirar das ruas.


A generosidade, doar-se, traz o bem para quem recebe, retorna em bem maior para quem dá e cria um ambiente de boa-vontade e felicidade que contagia tudo que se faz nele. Experimente! Mas lembre-se: se alguém está dando, outro alguém está recebendo e se este alguém for você, você pode também dar enquanto está recebendo. Dê sua gratidão...

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