As questões pessoais, ou o que se tem chamado de falta de inteligência emocional, tem prejudicado a eficiência no trabalho desde sempre. Atualmente, a competição acirrada e a corrida por resultados cada vez melhores tem levado as empresas a dar mais e mais atenção a este problema, a capacidade de seus colaboradores em lidar com as emoções, e estão cada vez mais comuns os sistemas de coaching emocional.
Estamos num cenário em que muitas ferramentas têm sido desenvolvidas, principalmente nos EEUU, com o objetivo de fazer com que as pessoas funcionem mais eficientemente no trabalho e nos relacionamentos interpessoais, como no contexto de liderança, por exemplo. Hoje está muito forte a teoria da Inteligência Emocional e ferramentas baseadas nela:
“Escolher e gerenciar suas emoções” = conhecer-se > gerenciar-se > motivar-se > conhecer os outros > gerenciar os outros
Estas ferramentas tem trazido bons resultados no gerenciamento das emoções e na melhora dos comportamentos (ser mais “emocionalmente eficiente”). Entretanto, alguns aspectos merecem aprofundamento:
1. O conceito de inteligência emocional pressupõe que viver as emoções e seus desdobramentos é, de alguma forma, uma questão de inteligência. O que quer dizer isto?
Inteligência é o conjunto de todas as faculdades intelectuais de alguém: memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstração. Um conceito de inteligência, como este, não tem nenhuma aproximação com as emoções, porque nossas faculdades intelectuais não participam das nossas emoções. Nós podemos ser inteligentes para perceber que nossas emoções estão inadequadas ou que estão nos prejudicando, mas não podemos usar nossa inteligência para alterá-las! Por mais estúpidas que elas (emoções) nos pareçam!...
2. A percepção de uma “inteligência emocional” deve-se ao julgamento da adequação ou não das emoções ao “desejável” ou ao “razoável” e ao desejo de torná-las mais adequadas ou racionais.
3. As emoções são, na verdade, uma resposta automática do nosso sistema psíquico aos pensamentos que passam por ele, tal como as dores são uma reação automática do sistema nervoso a feridas no corpo: sentimos medo ao interpretar algo como uma ameaça, sentimos tristeza ao interpretar algo como uma perda muito grande, sentimos raiva quando interpretamos alguma coisa como uma contrariedade... Emoções não podem ser modificadas, pensamentos sim.
4. Os pensamentos que provocam emoções (os interpretativos) não conseguimos mudá-los com reeducação, ou de forma objetiva (agindo no cognitivo), porque são pensamento desprovidos de razão, de lógica. Como a tabela interna de um software de tradução, eles apenas estabelecem equivalências. Alguém que tenha medo de tomar decisões certamente não está usando seu aparato cognitivo para isto. E mais, não dá para usá-lo porque ele (o circuito cognitivo) não está envolvido no processo. Portanto, podemos controlar nossas reações mas não nossas emoções. Se você tem medo de falar em público pode se controlar, respirar fundo, usar técnicas para se abstrair, mas o medo vai continuar lá...
A conclusão é que os sistemas que usam métodos cognitivo-comportamentais são muito eficientes em estabelecer controle e gerenciamento do comportamento, mas não das emoções. Isto leva a um melhor comportamento mas às custas de mais pressão, mesmo que as pessoas não o percebam.
Para alterar o padrão emocional, alterando o comportamento sem aumentar a pressão, será necessário um trabalho cuja ação esteja concentrada nos pensamentos interpretativos, que são inconscientes e foram formados a partir de marcas de memória (traumas). “Trauma”, aqui, referindo-se a acontecimentos emocionalmente intensos demais para as condições do sujeito para “digeri-los”. Aí, modificar estas marcas é o caminho para obter mudanças definitivas.
Quando Freud iniciou suas pesquisas, por volta da década de 1880, por um bom tempo acreditou que a hipnose fosse a resposta. Parecia a ele que este era o método certo para eliminar os traumas. Após alguns anos de prática clínica, percebeu que ela não era necessária, e mais, era, muitas vezes, inócua e, a partir daí, desenvolveu a técnica da psicanálise que vem sendo aperfeiçoada desde então: a técnica da transformação psíquica pela palavra através da qual os traumas vão sendo dissolvidos através de uma elaboração extensa da matriz dos pensamentos interpretativos: os significados. A aplicação da técnica psicanalítica, bem conduzida, produz, como resultado, interpretações diferentes das mesmas situações levando a emoções diferentes e, consequentemente, a comportamentos também diferentes.
A resolução de traumas e conflitos através de programas baseados em psicanálise leva a uma pessoa mais serena, mais equilibrada, mais forte e mais preparada para construir sua qualidade de vida e felicidade.
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