quarta-feira, 16 de junho de 2010

Espiritualidade

Espiritualidade e amor, para mim, são coisas próximas. "Espiritualidade é querer o bem e fazer o bem": esta é definição mais feliz de espiritualidade que já vi. E, por ela, dá pra ver que ter espiritualidade não é simples, como amar também não é.


Muitas pessoas têm muitas dificuldades com o amor. Para amar, temos que estar abertos ao amor. É freqüente, em pregações religiosas, frases como: “abra seu coração para Deus”. Este conselho não é fortuito, tem endereço certo. Num coração fechado o amor não entra. Para querer o bem, para amar, precisamos nos abrir para nós mesmos e para o outro. Se estamos de coração fechado, defendidos, o amor não acontece. Com a espiritualidade é parecido: como não se trata de algo racional, conceitual, e sim do nível da experiência, um coração fechado é impedimento para ela.

Heidegger (filósofo alemão) dizia que o ser humano nasce com uma “abertura para o mundo” e esta abertura “se modula” durante a vida. A psicanálise defende que todo ser humano nasce num estado de extremo desamparo (portanto, sem defesas) e que são as experiências por que passa que definem como suas defesas vão se articulando. Naturalmente aberto ou inicialmente sem defesas, algo faz com que esta abertura “se module”. E este algo é o medo (angústia).


Do ponto de vista da psicanálise, o que acontece é que, aos poucos, percebemos as ameaças do mundo e nos fechamos para nos defender. Dependendo do caso, este fechamento pode ser suficiente para nos deixar avessos ao contato, com medo de nos abrirmos, com medo do amor, com medo do julgamento dos outros, sentindo como se abrir nosso coração significasse sofrimento.


Há casos em que as pessoas chegam, até, a sentir este fechamento como uma couraça exterior, que as protege do mundo e dos outros. Não é raro acontecer um enrijecimento e algumas pessoas se tornarem tão inflexíveis que dão a impressão de não se importar com os outros: desenvolveram um sistema de defesa tão inexpugnável que nada o atravessa. Outras podem desenvolver a onipotência como uma defesa: sentem que “estão por conta própria” e “tem que dar conta de tudo sozinhas”, desenvolvendo um sentimento de auto-suficiência absoluto... Estas pessoas são fechadas. Para elas, querer o bem, muitas vezes, nem faz sentido. Tudo o que faz sentido para elas é “o que é certo” e “o que é errado”.


Desenvolver espiritualidade é abrir o coração ao amor e dar amor: ao próximo, às coisas, à vida. Uma vida cheia de amor certamente é um bom meio de cultura para as coisas do espírito...

2 comentários:

Anônimo disse...

Este amor tão cantado em versos e prosas. Este amor que Cristo nos ensina. Amor próprio. Palavra tão doce, enseja paz. Amor ao próximo.Amor egoísta. Abrir o coração ao amor e dar amor. Amar? Quem nunca recebeu amor, saberá oferecê-lo?
Amor é doação? Quem pode definir o amor?

Anônimo disse...

Deixo um pensamento de Albert Einstein
"Se um dia você tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se : se escolher o mundo ficará sem amor, mas se você escolher o amor, com ele conquistará o mundo"

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