A nossa infância é um período muito importante em nossas vidas, pois lá se constrói o que somos hoje: como pensamos e como nos sentimos em relação às coisas do mundo, às coisas que nos acontecem. É um período em que somos (quase sempre) muito cuidados e protegidos e nossas atividades, normalmente, se reduzem a brincar e ser feliz. Lá, todas as vezes que nossas necessidades foram satisfeitas com atenção e amor, isto nos marcou com satisfação e alegria e as vezes em que essas necessidades não foram satisfeitas nos marcaram com insatisfação e frustração.
Depois de adultos, nos tornamos, teoricamente, independentes da presença e dos carinhos maternos e atenção, mas... todas as vezes que nos sentimos encurralados pela vida, por muito tempo temos saudade do colo da mamãe... Na verdade, estamos sempre num “estado” de insatisfação que faz com tenhamos, sempre EXPECTATIVAS a serem satisfeitas: "Ah! Como seria bom se..."
Ter expectativas é importante porque nos dá um sentido para viver, direção, motivação e, sem motivos para viver, a vida perde a graça e, aí, vem depressão, que é o que acontece quando achamos que nossa vida “perdeu o sentido”: as expectativas a respeito dela desapareceram.
É o que acontece na aposentadoria, principalmente quando se teve uma vida muito movimentada e cheia de coisas pra fazer. Se a pessoa, durante esta fase da vida, passou o tempo todo construindo a convicção (falsa) de que ele (ou ela) era o que esta vida o fez ser (executivo de vendas, empresário do ramo de TI, engenheiro de desenvolvimento, médico cirurgião...) e a aposentadoria vem lhe tirar isto, é quase certo que ficará sem mais nenhuma expectativa na vida: “Eu era aquilo e aquilo era eu. Sem aquilo, eu não sou nada e não há mais o que eu fazer na vida...”
Isto é muito comum, e é uma maneira muito eficiente de entrar em depressão, acabar com as expectativas de sua vida, acabando com seu papel na vida: “Eu não sou mais nada, eu não tenho mais nada a fazer...” Entretanto, esta é uma idéia completamente falsa: você não é o que você faz ou fez, você é o conjunto dos seus potenciais, das suas habilidades, das suas dificuldades, dos seus valores, da sua sabedoria de vida. Você é o conjunto das experiências que acumulou na vida. O que você faz ou fez foi ou é apenas o MEIO. A aposentadoria é, apenas, o cessar de uma atividade específica e de papeis sociais específicos. O resto de você (a imensa maior parte) vai ficar esperando que você faça escolhas e tome decisões que o coloquem em novos caminhos, onde esta “riqueza interior” que é você possa se expressar e ter expectativas novamente...